A convite do Gin Hendrick’s estive
por ocasião do Dia dos Namorados com a Carmen na terceira edição da Clínica de
Cortejo Refinado, uma divertida clínica de charme que prometia oferecer
preciosas dicas a solteiros em busca de potenciais pretendentes, bem como a
casais com o desejo de aprimorar a sua relação.
Procurando reavivar valores e boas
maneiras intemporais, bem como aptidões de cortesia e romantismo ao melhor
estilo vitoriano, a Clínica ofereceu experiências tão distintas quanto as
regras de “Etiqueta no primeiro encontro”, o “Piquenique romântico”, um Jogo de Croquet e nem faltou uma valsa, diga-se
muito pouco convencional.
Em todas as actividades contámos com
divertidas personagens trajadas a rigor sob as ordens do Dr. Sixwivs e da sua
assistente Miss Isabella Folornicate.
Embora fosse bastante para me
convencer o facto de o evento ter o patrocínio do Hendrick’s, o meu gin
favorito, posso dizer-vos que me diverti bastante e por certo marcarei presença
em futuras edições.
Sangue...muito sangue...tiros, explosões e o
humor violento mas muito acutilante do Mestre Tarantino marcam "Django
Unchained".
O filme, um western muito peculiar, passado em
1858 (dois anos antes da Guerra da Secessão) retrata a história de Django (Jamie
Foxx), um escravo revoltado que se associa a um excêntrico bounty hunter, Dr. King Schultz (Christoph Waltz),
ex-dentista, partindo em busca da sua amada Broomhilda von Schaft (Kerry
Washington), uma bonita escrava que fala a língua do Kaiser.
O naipe de actores é simplesmente fabuloso:
Christoph Waltz (Dr.King Schultz), irrepreensível, numa versão Col. Hans
Lada turns good guys, mantendo toda a ironia e o sangue-frio que o
caracterizam em Inglouriuos Basterds (deve bisar no Óscar); Jamie Foxx, convincente
na pele de Django; Leonardo Di Caprio excelente no papel de
"Monsieur" Calvin Candie; Samuel L Jackson, absurdamente odiável no
papel de Stephen, o velho encarregado da propriedade Candyland e nem falta um
anafado Tarantino com sotaque aussie a ir literalmente pelos ares.
Curioso o que disse Jackson a propósito do seu personagem "Years ago, I would have said I was going to be the hero or Django, but
[Tarantino] took too long to write it (...)"When he sent it
to me, he said read the role of Stephen. I read it and was like, 'Oh,
you really want me to be the most despised Negro in cinematic history?'
'Well, yeah.' 'OK, I'm down. Let's do it.'
A obra de Tarantino resgata ainda do esquecimento Don Johnson ("Miami Vice"), no papel de Big Daddy, um grande proprietário esclavagista do Sul, num visual certamente decalcado do Coronel Sanders da KFC (Kentucky Fried Chicken).
Johnson protagoniza uma das cenas mais
hilariantes do filme, quando lidera um grupo pré- KKK (Ku Klux Klan) em
perseguição a Django. Munidos de tochas e armas, o grupo perde-se numa acesa
discussão sobre os buracos (mal) feitos nos sacos brancos que lhes cobrem as
cabeças...Priceless!
Depois de ter visto "Lincoln" e "Argo", os grandes
favoritos, a minha escolha vai sem dúvida para a obra de Tarantino...pena a
Academia não ir por certo pelo mesmo caminho.
Na minha escala Tarantino, "Django Unchained" entra directamente
para o número 4, atrás de "Pulp Fiction", "Reservoir Dogs"
e "Inglourious Basterds".
Oscar Pistorius, o atleta paraolímpico mais famoso do mundo, foi formalmente acusado pela morte da namorada, a modelo Reeva Steenkamp, baleada com quatro tiros na sua casa em Pretória.
Tudo parece apontar para que Pistorius seja mais uma lenda caída em desgraça depois de Lance Armstrong.
Tal como o norte-americano, Pistorius, o "BladeRunner", era até ao momento visto como um exemplo de tenacidade, coragem, determinação que inspirou milhões, provando que nada é impossível.
O medalhado atleta paraolímpico sul-africano de 26 anos, foi submetido aos 11 meses de idade a uma operação de amputação abaixo dos
joelhos, devido a uma doença congénita.Aprendeu a caminhar com próteses, tendo sido sempre a sua ambição enfrentar
atletas sem deficiência em competições.
Aos 16 anos abraçou o atletismo depois de uma lesão grave nos joelhos no rugby, modalidade que o levou a realizar o seu sonho nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, tendo participado nas meias-finais dos 400 metros.
Apesar de "inocente até prova em contrário", os factos que têm vindo a público nada auguram de bom para Pistorius.
Parece macabro mas a Nike estava prestes a lançar na África do Sul uma campanha com Oscar Pistorius cujo slogan era nem mais nem menos que "I am the Bullet in the Chamber".
Esta sinistra coincidência fez
com que a marca retirasse de imediato o anúncio, que
chegou a estar no site oficial do atleta, suspendendo também a emissão do "spot" de TV, que contava com Pistorius, entre outros, tendo como mote "O meu corpo é a minha arma".
Enquanto aguardamos desenvolvimentos, deixo-vos o vídeo da campanha:
You'll always be mine, sing it to the world
Always be my boy, I'll always be your girl
Nobody's business, ain't nobody's business
Ain't nobody's business,
But mine, and my baby
Assim canta o refrão da música "Nobody's Business", um dueto de Rihanna com o seu ex (ex?) Chris Brown no mais recente albúm "Unapolegetic", que tem passado em todas as rádios.
Todos nos recordamos das tristes imagens de uma Rihanna espancada pelo "apaixonado" Chris Brown em 2009 na véspera dos Grammys. Agora tudo são águas passadas, nada como umas "lambadas de amor" para manter viva a chama.
Não sendo de esperar que estas "divas de faz-de-conta" de hojesejam um modelo de virtudes, pelo menos quem gere as suas carreiras deve ter a noção do impacto que estas músicas têm sobre os mais jovens e o decadente exemplo que é dado quando milhares de mulheres são vitimas diárias de violência doméstica, culminando em muitos casos na própria morte.
A música "perdoa" a criminosa cobardia de Chris Brown, conhecido por vários episódios de violência, e coloca uma desmiolada Rihanna a "zangar-se" contra o mundo e em particular os media por intrometerem-se nesta explosiva mistura de "Fairy Tale meets Fight Club". Numa palavra, vómito!
Não só é promovido de forma totalmente irresponsável este tipo de comportamentos como exalta-se ao silêncio das vítimas, numa sinistra interpretação do provérbio "entre marido e mulher não se mete a colher".
O crítico Randal Roberts do LA Times escreveu a propósito o seguinte:
"A
love song, 'Nobody’s Business' is like a sad inversion of Sonny and Cher’s
'I Got You Babe.' Instead of singing about connection, true love and wanting to
shout it to the world, the song features a convicted abuser and the woman he
assaulted asking everyone to shut up and leave them alone."
Os casos de violência doméstica devem ser denunciados, por forma a pôr de vez estes cobardes na cadeia.
Tendo duas irmãs tenha vergonha da sociedade em que vivemos, promovendo-se à custa de interesses meramente comerciais a promoção de conteúdos absolutamente hediondos.
Obviamente que não sou apologista da censura mas acho inacreditável toda a leviandade e impunidade com que "Nobody's Business" passa constantemente nas rádios, internet e televisão.
É este o exemplo que queremos dar aos nossos jovens? "All is Fair in Love and War?