quinta-feira, 11 de julho de 2013

Cavaco ou Não Cavaco?

(cartoon por Henrique Monteiro; Sapo Cartoon)


Ousado ou irresponsável? Murro na mesa ou o não comprometimento? A luz da salvação ou o derradeiro passo rumo ao abismo? 


O discurso do Presidente da República foi de tal forma dúbio e omisso que deixou meio mundo a procurar interpretar o significado e alcance das palavras do Sr. Silva de Boliqueime.


Se na cena política as posições oscilam desde uma pretensa azia à contestação, do repúdio ao elogio, menor não é a confusão que reina nos media não só em Portugal como no estrangeiro. “O Futuro de Portugal depende do meio de comunicação social que se está a ler”, escreve o Expresso.


Quando a situação exigia uma tomada de posição firme, fosse no sentido da dissolução da Assembleia ou na viabilidade da remodelação do Executivo, o discurso de Cavaco Silva veio lançar ainda mais a confusão e colocar as próximas semanas plenas de intrincadas interrogações.


Se não vejamos:


1º Cavaco rejeita para já a dissolução da Assembleia e consequente convocação de eleições antecipadas, considerando tal ser contraproducente às “reformas em curso”, advogando que o Governo se encontra na plenitude das suas funções.


2º Ao mesmo tempo que parece primar pela subsistência da legitimidade do actual Executivo, não se pronuncia sobre a remodelação governamental proposta por Passos Coelho depois do “golpe palaciano” desencadeado pela demissão “irrevogável” de Portas. Obrigará Cavaco à manutenção do actual figurino do Executivo, determinante na ruptura ou quase-ruptura da Maioria?


3º Por outro lado, independentemente de se proceder ou não à remodelação governamental, será legitimo colocar (ou parecer colocar) a sobrevivência do Actual Executivo dependente de um “Compromisso de Salvação Nacional” a ser assinado pelos partidos subscritores do memorando de entendimento com a Troika (PS, PSD, CDS)? Mais estranhamente, fará como um dos pontos a reter nesse compromisso o agendamento de eleições antecipadas a ter lugar no próximo ano após a saída da Troika? 


4º E que “Compromisso” é este que nas palavras de Cavaco será um “um acordo de médio prazo, que assegure, desde já, que o Governo que resulte das próximas eleições poderá contar com um compromisso entre os três partidos que assegure a governabilidade do País, a sustentabilidade da dívida pública, o controlo das contas externas, a melhoria da competitividade da nossa economia e a criação de emprego”? Um mero memorando de entendimento? Uma carta de princípios? A enunciação de medidas-chave?


5º Será legítimo ao Presidente pré-agendar eleições legislativas para não menos do que daqui a 11 meses quando constitucionalmente “só pode demitir o Governo quando tal se torne necessário para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas, ouvido o Conselho de Estado”? (Obs: Pessoalmente considero que estão reunidos todos os predicados para se promover de imediato essa solução). 


6º Voltando ao “compromisso de salvação nacional” (não me canso deste termo), de que forma pode Cavaco expectar alcançar um acordo de fundo entre uma maioria desgovernada e um PS que exige a realização de eleições antecipadas? Chantagem sobre Seguro? Decapitação dos líderes dos três partidos, tomados (quiçá) por Cavaco como os grandes agitadores deste clima de convulsão política? Expectativa de promover um Governo de iniciativa presidencial caso falhe o “Compromisso”? E se sim, de onde viria a legitimidade conferida pela Assembleia para lhe permitir essa prerrogativa? Ao mesmo tempo será permitido a Cavaco alienar puramente PCP, Verdes e BE de qualquer decisão a tomar?


Quanto a mim o discurso do Presidente da Republica não me entusiasmou, não me motivou e certamente não se me afigura como uma resposta para a actual crise. Acima de tudo creio que Cavaco procurou não se comprometer, descartando-se de quaisquer responsabilidades (quando muitas são as que se lhe podem apontar no cartório), procurando salvar a pele para a história com um “ depois não digam que nada fiz”. Nas suas palavras, se o “compromisso não for alcançado, os Portugueses irão tirar as suas ilações quanto aos agentes políticos que os governam ou que aspiram a ser governo”.


E assim continuamos a navegar num mar de incertezas, por manifesta incapacidade ou arrogância dos nossos principais líderes políticos.


terça-feira, 9 de julho de 2013

Há Mar e Mar. Há Seringas e Voltar!



Seringas, cateteres, pensos, frascos de vidro a boiar no mar…Isso agora é razão para se interditar os banhos? Que mariquice! Bem pelo menos é o que pensam as “engenheiras das Águas do Porto” (segundo a repórter da RTP), que ao que parece “não consideraram que havia razões para alarme”. 


A polícia marítima foi pelo mesmo diapasão e achou um exagero os nadadores-salvadores terem hasteado a bandeira vermelha e terem pedido as pessoas para sair da água por estar contaminada…Os agitadores, é preciso ter lata, cambada de malandros! Fora a bandeira vermelha e põe-se a amarelinha que fica mais bonita.


Esta notícia parece saída de uma sessão de stand-up comedy, não fosse a gravidade da situação ocorrida hoje na Praia do Carneiro no Porto.


Material hospitalar a flutuar no mar, objectos cortantes e tudo isto é tratado com tamanha leviandade?! Mais do que uma questão de higiene, não há aqui um risco elevadíssimo de Saúde Pública? Será que fui eu que apanhei demasiado sol e não estou a raciocinar bem?


Não sendo técnico de higiene ou tendo quaisquer qualificações médicas, parece-me inacreditável que a praia não tenha sido interditada ou pelo menos mantida a proibição de banhos por forma a promover os estudos e análises suficientes para perceber se aquilo foi um incidente isolado ou não, bem como procurar identificar a fonte poluidora.


Os únicos que pareceram ter cabeça no meio deste episódio surreal foram os nadadores salvadores, já as demais autoridades e as citadas “engenheiras” não querem é assustar a malta.


Quantos a vocês se cruzarem-se com material hospitalar durante um refrescante mergulho, não sejam maricas e desfrutem! Afinal, qual é o pior que vos pode acontecer…?

Lembrei-me também deste vídeo. Um genial spot televisivo da Smirnoff...



domingo, 7 de julho de 2013

Prioritário mas Pouco



Sábado, 7 de Julho de 2013, 11 horas, o termómetro já marca perto de 40º. Sem grande vontade mas sem escapatória, parei num Pingo Doce perto de casa. 


Se cá fora o calor era insuportável, lá dentro reinava o verdadeiro inferno. Filas e filas de gente, atropelos e pequenas discussões compunham o cenário. Parecia que o Mundo ia acabar e alguém se tinha esquecido de me avisar.


Como me preparava para rumar para casa de uns amigos para um dia bem passado junto à piscina, relaxei e procurei tentar tirar o melhor partido da situação. No meio da confusão, uma pequena disputa tomava lugar na "Caixa Prioritária". A razão, um casal de meia-idade que levava o neto de 3 / 4 anos ao colo e irrompeu pela fila adentro. 


Pacientemente na fila de espera ao lado, fui observando os comentários e reacções de quem tinha ficado para trás na fila, que, diga-se de passagem, de "prioritários" nada tinha.


Ora então uma senhora nos seus 50 e muitos anos dialogava com um casal na casa dos trintas. Os três comentavam irritados a chico-espertice que reinava em Portugal ao mesmo tempo que questionavam a existência ou não das caixas prioritárias.



Com a discussão do que deveria ser considerado como bebés de colo como premissa iam discorrendo num verdadeiro ataque às caixas prioritárias. Argumentava-se que mesmo os prioritários podiam esperar e a senhora mais velha arrasava com pérolas como “Para mim acaba-se com estes expedientes, também tenho uma pessoa de muletas lá fora à minha espera e lá por causa disso…”


O certo é que olhava para todos aqueles que esperavam na fila prioritária e não via a um qualquer limitação, a não ser mental, que os qualificassem a estar naquela fila, sobretudo quando o supermercado estava completamente cheio. 


Poder-se-ia questionar a idade da criança como factor prioritário ou não (a regra para bebés de colo parece que é 2 anos) mas ao menos ao casal com o neto dava-se o benefício da dúvida. Os restantes não mais eram que 15 marmanjos e marmanjas a bufar por todos os lados.
 

Sinceramente é minha opinião que ao invés de “Caixas Prioritárias” este tipo de Caixas deviam ser exclusivas, pelo menos quando os supermercados se encontram a abarrotar. Ao mesmo tempo concordo que há que parar com alguns casos que apenas denotam esperteza saloia e em nada contribuem para a “reputação” destes canais prioritários.
 
Numa pequena pesquisa pela web notei uma lista infinita de casos de desrespeito por aqueles para os quais efectivamente esta facilidade é criada. Desde uma senhora de quase de 60 anos que saturada afirmou que também estava grávida até outra sexagenária que barafustou que não era menos que os outros e recusou deixar passar à frente duas grávidas. Nada de estranhar perante a assustadora crise de valores que se instalou.


Uma coisa é certa, ir ao fim-de-semana ao Pingo Doce é quase garantia de uma interessante experiência sociológica.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Hora da Bonecada

Perante a autêntica caricatura em que se tornou o (Des)Governo deste País, nada como deixar que as imagens falem por si...


ENQUANTO EM SÃO BENTO REINA O CIRCO...




...EM BELÉM UM VELHO ERMITA SE ESCONDE...DIZ-SE QUE SÓ DESPERTA PARA TOMAR O SEU CERELAC...OU SERÁ MILUPA?...











































...AO MESMO TEMPO NO EGIPTO...
























(...)
....
JÁ QUASE ME ESQUECIA DO EDWARD WALLY...PERDÃO SNOWDEN...ESCONDIDO EM PARTE INCERTA...

  
THE END...YOU WISH!

Cartoons: (1) Henrique Monteiro (Sapo Cartoon), (3) Jeff Darcy (The Cleveland Plain Dealer)

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Sai o Homem-Morcego, entra a Mulher-Swap



Demite-se Vítor Gaspar, o rosto da ruinosa política de austeridade levada a cabo por este Governo. 

Pior do que as duras medidas de "consolidação orçamental" por si (o eufemismo predilecto deste Executivo), é a total falta de estratégia, a ausência de verdadeiras medidas estruturais que potenciem o crescimento económico, ao invés de opções puramente cosméticas para agradar aos desígnios da Troika.

Mas porque na Política ao contrário da banda-desenhada os vilões levam por norma a melhor, ao arqui-inimigo Gaspar, o pérfido "Homem-Morcego", sucede Maria Luís Albuquerque, a amnésica "Mulher-Swap".



Ainda que a (ex) Secretária de Estado do Tesouro desconhecesse, como reiterou hoje no Parlamento, os contratos swap quando entrou no Governo, apesar dos indícios em sentido contrário, o certo é que num momento de forte contestação social e total descrédito do Governo, seria de esperar a escolha de um nome capaz de gerar um mínimo de consenso, ou pelo menos que não atiçasse ainda mais o fogo. O decoro, a prudência, a seriedade assim o exigiam mas estes não parecem ser termos do léxico de Passos Coelho & Companhia. Um Governo autista, fechado sobre si mesmo, a viver uma ilusão digna talvez de um conto de Lewis Carrol.

Aguardamos pelos próximos capítulos deste (Des)Governo rumo ao inevitável abismo...escusava de é de nos levar a todos com ele.