segunda-feira, 18 de novembro de 2013

"Bienvenidos a Merijuana!"


A escuderia britânica Mclaren, procurando capitalizar o apoio ao piloto Sergio Perez, hasteou uma bandeira mexicana num dos seus postos de venda no Grande Prémio de Austin, Texas (EUA). O problema é que bandeira tricolor ostentava uma inusitada folha de cannabis ao centro..."Bienvenidos a Merijuana!"

A marca tem-se desdobrado em 1001 pedidos de desculpa, depois da queixa apresentada pelo consulado Méxicano na região, tendo afirmando que o lamentável erro se deveu à falha de um fornecedor subcontratado para o efeito que em nada representa a Mclaren.

Pedidos de desculpa à parte, o certo é que incómodos "lapsos" como este, de troca de bandeiras ou de hinos,  têm teimado em repetir-se, ganhando um mediatismo instantâneo face à força redes sociais.

 
Toda a gente está por certo recordado das bandeiras portuguesas "made in china" com os "lusitanos" pagodes ou do polémico incidente com a troca das bandeiras norte-coreanas pelas do Sul nos Jogos Olímpicos de Londres.


Entrando numa pseudo teoria de conspiração...e se o erro tivesse sido propositado. Teria sido esta uma afirmação política numa alusão aos violentos carteis de droga mexicanos? Um apoio camuflado à despenalização da marijuana para fins terapêuticos que tem ganho apoiantes num cada vez maior número de Estados Federados? Ou simplesmente, numa toada mais jocosa, uma crítica à notória falta de cultura geral do americano médio?

domingo, 17 de novembro de 2013

O Poder de um Aperto de Mão



Um bom aperto de mão é um óptimo cartão-de-visita e uma demonstração instantânea de firmeza e assertividade. Se pode ser pernicioso limitarmo-nos às primeiras impressões, não é de todo menos importante transmitirmos uma aura de confiança no primeiro contacto.

Nisto não poderia ser menos directo. Abomino um aperto de mão molengão, dado sem qualquer convicção, quase que a medo, isto seja um homem ou uma mulher. 

Quer seja numa entrevista de trabalho, quer quando celebramos o negócio ou simplesmente conhecemos alguém na nossa vida pessoal ou profissional, é fundamental transmitirmos uma boa primeira impressão. Por vezes é a razão que faz alguém querer conhecer-nos melhor ou simplesmente perder de imediato o interesse.

Ao contrário do que também alguns fazem, ter um aperto de mão assertivo, não é uma questão de força mas de firmeza e de postura. À mão inerte (o “limp fish”) não deverá nunca substituir-se o handcrusher.

A forma como damos um aperto de mão revela mais sobre nós do que muitos talvez suspeitem. Um aperto de mão firme, acompanhado da postura física correcta e de contacto visual é um  aliado fundamental quer queiramos conquistar um novo negócio ou simplesmente agradar a alguém. É desde logo uma demonstração de respeito.

Perguntem a uma mulher qual a sua reacção quando se deparam com um homem com um aperto de mão mole, é meio caminho andado para receberem de volta um…”o meu nº de telefone? Ah claro…acho que vem na lista…Então até sempre!”

Em jeito de remate, um pequeno conselho. Nesta roda-viva a que chamamos dia-a-dia, a velocidade vertiginosa a que nos movemos obriga-nos a uma postura permanente de coerência e assertividade, medida nos mais pequenos gesto e comportamentos. E porque ninguém quer ficar a “segurar mãos”, deixe lá o “peixe morto” em casa da próxima vez que der um passou-bem.

Aqui segue uma ilustação para os mais desatentos (apesar da legenda, também aplicável a mulheres...)



sábado, 16 de novembro de 2013

PERVERSÃO.COM - É FAVOR DENUNCIAR!



Vivemos num mundo absolutamente doente. A perversão, o ignóbil, o maquiavélico de que sempre padeceu a humanidade ganharam um novo veículo através da internet e das redes sociais, sobretudo através de um submundo obscuro mais conhecido por Deep WEB, um gigantesco universo paralelo onde é possível comprar armas, drogas, órgãos humanos, servos sexuais, assistir a lutas até à morte, alimentar a circulação de hediondas perversões como a pedofilia e o canibalismo.

Mas para lá deste submundo dantesco, apenas ao alcance de uma sinistra minoria, escondido sob uma teia imaginável de falsos sites, níveis de segurança e IPs, é possível depararmo-nos com um autêntico manancial de comportamentos e ofertas desviantes acessíveis ao comum dos utilizadores.

Nas redes sociais abundam os predadores sexuais e outros abusadores sempre à caça das mais incautas vítimas. Multiplicam-se os grupos e fóruns de discussão de movimentos extremistas, de índole racista ou xenófoba.  É cada vez maior a intolerância nos fóruns online sobretudo quando os temas são mais fracturantes casos da religião, política, sexualidade ou por vezes (e cada vez mais) do desporto.

Ora nesta perversão online à distância do clique foi agora descoberto à venda num website chinês uma sex doll com a aparência de uma criança de 9 ou 10 anos.

O anúncio, inserido na mega plataforma de vendas online chinesa DHgate, anuncia com toda a ligeireza “beautiful young girl sex doll for men”, disponível para a venda em todo o mundo pelo preço de 178 dólares.



Não bastante esta descrição abjecta, acompanhada de fotos, temos ainda um leque de instruções bastante pictórico que dá conta da alta flexibilidade da boneca bem como dos “três buracos que podem ser usados”.

Apesar das várias manifestações de repulsa e de um manifesto online, a boneca continua à venda, totalmente às claras, no preciso momento em que estou a escrever este texto, conforme podem verificar por vocês mesmos…


Bem-vindos à PERVERSÃO.COM … É FAVOR DENUNCIAR!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O Último Caso de Poirot


It is the brain, the little gray cells on which one must rely. One must seek the truth within not without."
Esta é uma das frases mais marcantes de Hercule Poirot, o ímpar detective belga criado pela mente fascinante de Agatha Christie. Hoje irá para o ar no canal britânico ITV o último episódio da série televisiva que marcou gerações ao longo de 25 anos e que nos levou a identificar o actor britânico David Suchet e o mítico personagem como um só.
Confesso que perdi o rumo à série há alguns anos, dado que em Portugal apenas temos sido presenteados com a reposição de episódios mais antigos mas recordo-me com saudade das tardes de fim-de-semana em que acompanhávamos na RTP o infalível detective belga nas suas intrépidas buscas e desafiantes congeminações que acabavam normalmente com uma sala rodeada de ilustres convidados (e potenciais culpados) que acompanhavam temerosos as surpreendentes e entusiasmantes deambulações de Poirot até ao veredicto final.

No último episódio a passar esta noite adaptado do livro “Cortina – O Último Caso de Poirot ”, deparamo-nos com um Poirot debilitado, preso a uma cadeira de rodas mas com toda a destreza e ligeireza de pensamento a que sempre nos habituou.
Questionado sobre o fim da série, que o próprio actor reconhece como o papel de uma vida, David Suchet revela que não enjeitaria uma nova oportunidade de encarnar o personagem, em particular no cinema onde nunca teve a possibilidade de desempenhar o papel.

Au revoir Poirot!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Parabéns Ondjaki - Prémio José Saramago


Parabéns Ondjaki, merecido vencedor do Prémio José Saramago 2013 pelo fabuloso romance "Os Transparentes". Imperdível!

Deixo-vos com uma extraordinária passagem de "Os Transparentes", uma caricatura ao actual panorama de Angola mas como Ondjaki afirma “a ser recebido em qualquer parte do Mundo como uma pequena reflexão sobre a afectividade humana e a desigualdade social”:

"Transparentes somos todos nós. Qualquer cidadão, hoje em dia, é um transparente. Nós somos convocados para alguns momentos eleitorais e aí somos úteis e temos corpo e depois somos ignorados por quatro anos até às próximas eleições. Os transparentes são os cidadãos do mundo…"

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Um Feliz Natal Comercial 2013



De forma meio envergonhada os anúncios de Natal já vinham fazendo a sua aparição mas mal dispararam as primeiras horas de Novembro e o burburinho virou som ambiente. Bem-vindos ao Natal Comercial 2013!

O Natal é sem dúvida uma das minhas épocas preferidas do ano. No meio de muita hipocrisia encapotada e da febre consumista consegue ainda assim descobrir-se a magia do espírito natalício. Uma renovada lufada de bondade e fraternidade que preenche os nossos corações num dos meses mais frios do ano.

Hoje Lisboa (e por certo o resto do País) acordou numa mini-Lapónia, tantos eram os pais natais, renas e pinheiros que foram surgindo ao longo do dia. 

Montam-se as decorações de rua, embelezam-se as montras, anunciam-se as primeiras promoções. Primeiro sinal surgiu na rádio com um anúncio de eletrodomésticos. Nas grandes superfícies já está (quase) tudo montado, nem faltam os sacos temáticos.

O poder de compra esse está mais depauperado do que um pinheiro de Natal por alturas de Janeiro mas as prendas continuarão a ser o ponto alto da consoada de muitos lares, porque a carteira serve muitas vezes de de veículo de desculpas, de forma de compensação.

Não serei hipócrita ao ponto de dizer que não gosto de receber prendas, quem não gosta? Mas cabe a cada um de nós dizer e sobretudo demonstrar que o Natal é muito mais do que isso.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O Bom e Velho Livro


Acabei de ler um destaque da Agência Lusa que titula "Leitura de livros em digital não substituiu a de livros em papel " e de facto não podia estar mais de acordo.

Confesso que apesar de ser um fã das novas tecnologias, na leitura afirmo-me um purista. 

Encanta-me sentir o toque do papel nos dedos, o folhear de cada nova página rumo a uma nova descoberta. Gosto de sentir o cheiro de um livro novo, o odor do papel e da tinta, isto sem desprimor para o mistério que se esconde num livre antigo na sua tez amarelada e no seu odor por vezes acre mas que nos remete ao mesmo tempo para um mundo perdido de magia, um segredo bem guardado debaixo de humildes vestes.

Poderão dizer que os leitores electrónicos como o iPad, o Kindle são mais  fáceis de transportar, mais práticos e, com o passar do tempo, mais económicos ,dado que podem receber um sem fim de obras mas falta-lhes algo essencial…a magia!  Aquela que nos acompanha desde pequenos quando folheávamos as nossas primeiras bandas-desenhadas, as nossas primeiras aventuras.



O livro electrónico é impessoal, pouco cativante e não é digno do carimbo de refúgio que o  livro de papel ostenta com todo o mérito. Para além do mais, já bastam as horas atrás de horas que passamos com os olhos vidrados no ecrã, quais escravos da tecnologia…Permitam-nos ao menos este pequeno esconderijo.

Aceito que me digam que como instrumento didáctico o livro electrónico venha a ganhar importância mas não esgrimam como argumento o facto destes gadgets serem mais ecológicos, é simplesmente falacioso. Se é verdade que é impresso menos papel (apesar do uso de papel reciclado dever ser cada vez mais uma constante), não menos verdade é a quantidade de recursos naturais empregues na produção destes instrumentos tecnológicos bem como a quantidade de detritos que se acumulam sempre que decidimos trocar por um modelo mais novo ou “mais adequado” às nossas necessidades.

Para a produção destes aparelhos, bem como dos telemóveis ou laptops, são extraídos minérios pesados como o ouro, a platina, o cobre, desbastando os recursos naturais para além de poluírem os leitos de água mais próximos. Nas fábricas, em grande parte localizadas no extremo asiático, onde as práticas laborais estão longe de proteger a saúde dos trabalhadores, estes são muitas vezes expostos a químicos e materiais tóxicos como o mercúrio, o chumbo e o cádmio.

Pior que os nefastos efeitos da produção em si, são aqueles que resultam do lixo tóxico que se acumula sempre que decidimos que está na hora de “reciclar” os nossos aparelhos. Muito destes resíduos são exportados em massa, apesar de todas as proibições, para  países em vias de desenvolvimento, onde se acumulam em lixeiras a céu aberto contaminando os solos, o ar e as águas.  

Parafraseando, direi que no meio está o equilíbrio, a virtude. A cada um destes objectos, o livro digital e o de papel, está reservada uma função. Como mencionei talvez a um caiba um papel mais didáctico e ao outro uma vertente de lazer mas pelo que me diz respeito manter-me-ei fiel ao velho amigo de infância.

domingo, 20 de outubro de 2013

Teresa Alves na Cabana


Encontrei-me com a Teresa Alves num agradável fim-de-tarde pela zona do Chiado. Sempre bem-disposta e com o seu timbre enérgico, deu-nos a conhecer um pouco mais da pessoa por trás da apresentadora da Mega Hits.


Teresa, és uma mulher da rádio. Sentes haver algum preconceito, mesmo dentro do meio, de que quem “triunfa na rádio é aquele que consegue dar o salto para o pequeno ecrã”?


Parece-me uma ideia feita que poderá ter alguma fundo de verdade. Eu nunca fiz televisão mas há quem diga que a rádio é uma grande escola. Na verdade, acredito que são dois meios diferentes mas que se entendem no discurso, na relevância e no papel que devem ter junto da opinião pública.

  

Imagino que sejam inúmeras as histórias para contar sempre que entras no ”ar”. Qual foi a maior surpresa que te fizeram durante uma emissão? E o momento que mais te deixou corada/envergonhada?

Normalmente, passo o meu dia de anos a trabalhar, não tiro férias porque gosto de passar este dia com as pessoas que trabalham comigo, que são importantíssimas para o meu bem-estar e que adoro. Lembro-me de um aniversário há 2 ou 3 anos em que os meus companheiros de manhãs André Henriques e Paulo Pereira me fizeram uma canção, pegando no instrumental da In Da Club (It’s your birthday) do 50 cent, cuja letra circulava à volta do “Teresa, são os teus anos, este programa sem ti não vale um caracol”. Entre outras ideias. 

Quanto ao momento de embaraço, tive poucos. Não sou pessoa de passar vergonhas porque não me ponho a jeito para elas.


Quem já conheceste e gostarias de conhecer no mundo da música? Quem mais te surpreendeu?

Já conheci algumas pessoas muito interessantes. Os artistas portugueses são, regra geral, muito disponíveis e interessantes. Há cinco anos entrevistei a Rita Redshoes e gostei imenso de a conhecer, na altura tínhamos muitas ideias comuns. Já fora do mundo da música, gostei muito de entrevistar o ator Nuno Lopes e o escritor José Luís Peixoto. Por outro lado, detestei entrevistar o Keanu Reeves. Não gosto de julgar as pessoas pela primeira impressão, mas pareceu-me ser presunçoso e desinteressante. Talvez estivesse num dia mau.


A rádio sobreviveu ao evento da televisão, tem sobrevivido à Internet e às novas formas de comunicação. Acreditas que continuará a existir no Futuro? Que papel lhe estará destinado?

Acredito que a rádio continuará a crescer no futuro, sim. A escuta média de rádio tem-se mantido constante nos últimos 10 anos em valores que rondam os 60% do total da população portuguesa. A rádio faz parte do dia-a-dia das pessoas: a caminho da escola, do trabalho, enquanto estudam, quando regressam do ginásio, quando fazem longas viagens presas em pensamentos só seus. Quem é que nunca pensou: “Ena, era mesmo esta a música que me apetecia ouvir!”. A Internet não é capaz de nos surpreender desta forma – porque é uma escolha nossa, cada um de nós faz “a sua própria Internet”, procura os conteúdos de deseja ouvir no YouTube, no Spotify, na Last.fm. Este grau de surpresa e de magia só se encontra na rádio. Já a televisão é alienante, não nos permite consumi-la enquanto se realiza outra tarefa. E porque vemos tudo o que a TV nos pretende mostrar, não há nada deixado simplesmente à nossa imaginação.


Na rádio a personalidade mais polémica que me vem à cabeça é Howard Stern. Consegues imaginar-te no papel de sua co-locutora ou fugias dali a sete pés?

Fugiria dali a sete pés! O Howard Stern é uma personagem marcante mas não partilho do seu estilo de entrevista. Gosto de fazer perguntas incómodas para o status quo, não incómodas ao nível da intimidade do entrevistado, que é um direito seu e que lhe deve ser reservado.


Sendo tu uma profissional de comunicação e ao mesmo tempo blogger (coautora do “stufftoliveandlove”) como encaras o fenómeno de blogosfera? Sentes que há por vezes uma certa animosidade dos média tradicionais face aos bloggers?

Por acaso, não sinto essa animosidade. Acho que os média tradicionais (rádio, TV, imprensa...) têm sabido olhar para os blogs na perspetiva certa: como fontes de informação. A blogosfera representa um canal único de liberdade de expressão, logo, é uma das maiores formas de representação de uma democracia participativa acessível a todos.

A Teresa da Rádio é diferente da Teresa do dia-a-dia? Qual o teu principal defeito?

Naturalmente, é diferente, porque todos somos diferentes nos vários papéis sociais que somos forçados a representar no nosso local de trabalho, em casa, junto dos nossos amigos ou na aula de yoga. Lá está, a Teresa da rádio vive rodeada de música de dança eletrizante e a Teresa do dia-a-dia pratica yoga três vezes por semana e medita para se centrar.


Como te defines enquanto mulher? 

Curiosa, independente e viva.


As malas de mulher são um autêntico enigma para nós homens e muitas vezes para vocês mesmas? Se eu te pedisse para abrires a tua qual seria a coisa mais inusitada que iriamos encontrar?

Um folheto do restaurante indiano ao lado de minha casa. Não sou capaz de recusar um folheto do que quer que seja, mesmo quando já os acumulo em casa!


És uma recém trintinha…Diz-se que os 30 são os novos 20 (e até há quem já fale que os 40 é que são…). O que esperas desta nova década?

Não sou muito de numerologia. Espero continuar a levar a cabo os projetos que me movem e que trago comigo da década anterior.

  

Viajar é uma das tuas paixões. Adoptas a postura “em Roma sê romano” ou não consegues despir a “camisola” de turista? Qual a viagem que mais te marcou?

Acho que consigo equilibrar-me dentro desses dois papéis. Por exemplo, quando vou ao Brasil uso um cartão SIM de uma operadora local e tenho um número brasileiro, o que praticamente me faz sentir local. Já na China, perante as estranhas iguarias gastronómica que me foram oferecidas, tive de manter a minha postura de turista e usar a minha ocidentalidade para recusar provar delícias como túbaros e afins... A Islândia terá sido a viagem que mais me terá marcado. É um país de grandes contrastes ao nível da paisagem – ora o quente dos vulcões, ora o frio dos glaciares – e um grande exemplo ao nível da cidadania: um país cujos próprios cidadãos organizaram uma auditoria cidadã à dívida, ousaram não pagar a dívida que consideraram ilegítima e processarem os seus responsáveis, punindo os verdadeiros responsáveis pela má gestão financeira do país.


Um livro e um filme?

“Cronicando”, do Mia Couto, o meu escritor favorito. E quanto ao filme, “Janela Indiscreta” de Hitchcock.


Teresa, estiveste recentemente na África do Sul onde tiveste a oportunidade de visitar a prisão de Robben Island e presumo a cela onde Mandela esteve 20 anos. Como foi a experiência? Sentiste o peso da sua presença? 

Foi uma das experiências viajantes mais interessantes da minha vida. A visita guiada à Robben Island é sempre realizada por ex-presidiários políticos, pessoas que contam na primeira pessoa as histórias que por lá se passaram. Fiquei a saber, por exemplo, que existiam nesta prisão quatro categorias de presidiários: os de classe A, B, C e D, categorias essas que correspondiam ao nível de privilégios conferidos aos presidiários graças ao seu comportamento (D os menos privilegiados, que apenas podiam receber visitas uma vez por mês, e A os que detinham mais privilégios, como poder ter papel e caneta na sua sela e receber jornais). Mandela, por exemplo, manteve-se sempre na categoria A. fazia questão de manter um comportamento exemplar dentro de Robben Island para poder obter o máximo de informação do exterior e assim organizar a sua resistência e luta contra o regime a partir da prisão. Graças a esta conduta, conseguiu escrever dentro da prisão a sua obra “Long Way to Freedom”, que escondia debaixo de um canteiro no pátio da prisão.


Por falar em Mandela, uma personalidade que ambos admiramos...Do contacto que foste tendo com as pessoas é perceptível algum receio, alguma tensão pelo que possa vir a acontecer após o desaparecimento de Madiba?

Existe algum receio por parte dos sul-africanos face à iminente morte de Mandela. Temem que, com a morte do símbolo anti-apartheid, velhas quezílias sejam retomadas e antigas feridas abertas.


Se pudesses viajar no tempo que época escolherias e porquê?

Escolheria os anos 60 e 70, em França, Espanha e Portugal, para poder assistir às revoltas estudantis e à libertação dos regimes ditatoriais destes dois últimos países. Fascina-me esta consciência política de crença num mundo melhor dessa época, que julgo termos perdido com o passar dos tempos e das gerações.


Para finalizar, e porque o tempo ainda ajuda…Qual foi a tua maior loucura de Verão?

Ter começado um projeto de doutoramento e voltado a ser trabalhadora/estudante. É preciso estaleca para este ritmo de vida intenso!



 Teresa, obrigado por te teres prestado a ser a primeira "vítima" ;).

Fotos por Gonçalo Pereira Esteves