domingo, 21 de outubro de 2012

As Crianças e os Telemóveis



Falo-vos agora de uma das coias que mais me intriga e irrita simultaneamente...Alguém me explica porque raio precisa uma criança de um telemóvel?

Não vale a pena estarmos com rodeios, ninguém no seu perfeito juízo ousara negar que a tecnologia revolucionou as nossas vidas, o próprio Mundo. As crianças de hoje são totalmente diferentes das da nossa geração. A rua deu lugar à "segurança" das 4 paredes como espaço de eleição. Os jogos e os brinquedos tradicionais perderam espaço para a internet e os videojogos.

Se já me faz alguma confusão ver miúdos de 10/11 anos com um telemóvel, o que dizer quando se trata de crianças bem mais novas?

Por certo muitos virão dizer-me que é por uma questão de segurança..."Assim sei sempre onde ele/ela está...se precisar de alguma coisa pode sempre ligar-me". Mas parem e pensem por um momento...têm a certeza que estão a dar mais segurança aos vossos filhos? De certeza? Bem eu diria que estão a abrir portas a algo bem mais perigoso. O quê? E que tal a extensa rede de pedófilos, predadores e tarados que anda por aí?

É que os telemóveis, sobretudo os de última geração (sim que os paizinhos não querem que os filhotes passem vergonha na escola) são um verdadeiro golden ticket para estas perturbadas mentes. É como se fosse "Natal" todos os dias.

Não digo que em casos excepcionais não se possa justificar, nem me caberá dizer qual a idade mínima para se ter um telemóvel mas uma coisa é certa, estes facilitadores de comunicação móveis são dados de forma cada vez mais precoce e sem ser acompanhados de qualquer noção de responsabilidade a quem deles beneficia. Por outro lado, não nos esqueçamos que ainda está por provar se as radiações emitidas pelos telemóveis não poderão ser responsáveis por problemas neurológicos, sobretudo em crianças e jovens em desenvolvimento.

Querem proteger os vossos filhos? Dêem-lhes atenção, alertem-nos para os perigos que os rodeiam, ensinem-nos a evitar situações de risco. Bem, em alternativa podem-lhes sempre por uma sineta ou um guizo.

Freeman Lives!



Hoje li um post no Facebook que anunciava a morte de Morgan Freeman, um dos mais carismáticos e talentosos actores de sempre. O fiel e bondoso motorista de "Driving Miss Daisy", a voz da razão em "Tempo de Glória", o sábio detective veterano em Seven, o único homem que podia ter encarnado a lenda viva  Nelson Mandela em "Invictus",

Perante a incredulidade inicial mas desconfiança total fui de imediato consultar os principais sites noticiosos. Como era de esperar a notícia não passava de um mero e extremamente infeliz boato.

Agora pergunto-vos, que mente doentia, vazia e sedenta de protagonismo é esta? Que mórbida necessidade de atenção justifica tais actos. Será que vale mesmo tudo para se ter os tais 5 minutos de fama?!

O Mundo vai doente meus caros, muito doente! Ainda mais do que a crise económica, a crise de valores é cada vez mais uma triste e perturbante realidade.


terça-feira, 16 de outubro de 2012

"Metrofulhice"




Num país que ao que parece já não vai de tanga mas nu, não bastando as penosas (para não dizer criminosas) medidas de austeridade (perdão, de “Consolidação Orçamental”), vemo-nos ainda confrontando com um défice (palavrão tão em voga) na relação entre serviços prestados e valor pago. Hoje falarei apenas nos transportes colectivos.

Para quem trabalha no centro de Lisboa como eu, o metro é sem dúvida o transporte de eleição.

Ainda numa data não muito distante andar de metro significava poupar tempo e dinheiro. Meio de transporte rápido, confortável, acessível, levava-nos aos principais pontos da cidade.

Hoje em dia andar de metro é uma aventura ou melhor é uma autêntica tortura (que essa história do Sado-Maso é coisa para meninos).

A fusão do Metro de Lisboa com a Carris, entendo-se as razões de fundo para tal, foi o gatilho de todo um processo autodestrutivo na qualidade do serviço prestado. O preço tem disparado de forma vertiginosa e o novo “Passe Navegante”, triste homenagem aos nossos antepassados, tornar-se-á obrigatório para todos a partir de Janeiro. Mas por que raio quero eu pagar mais para ter acesso à rede Carris e CP se só pretendo andar de Metro? Muito atenciosos estes senhores sem dúvida, ver se não me esquece de lhes comprar uma “lembrancinha” pelo Natal.

Diminuíram-se comboios e carruagens, aumentou-se o tempo de espera, reduziu-se a velocidade (qualquer dia salto da carruagem e prometo que vou dar um empurrãozinho). As “perturbações na linha” tornaram-se numa estranha constante. As pessoas perderam a sua individualidade sendo amontoadas aos magotes, qual carneirada a caminho do matadouro, atropelando-se e acotovelando-se pelo direito a um espaço cada vez mais exíguo! Estou em crer que estará para breve a contratação daqueles profissionais japoneses versados na arte de empacotar pessoas no metro de Tóquio. Já viram algum vídeo? É como se falássemos de um mega e alucinado jogo de lego humano.

Pelo andar da carruagem (haverá melhor expressão) qualquer dia pego no capacete, fatinho e bicicleta e ala que se faz tarde!



sábado, 13 de outubro de 2012

Era uma vez uma Biografia...



Já repararam na velocidade a que saem hoje em dia novas biografias? É que nem o Concorde chega tão rápido a Nova Iorque!

Antigamente as biografias surgiam como prémio ou homenagem às muitas Primaveras vividas por alguém, muitas vezes a título póstumo.

Contavam-se as memórias de poetas, políticos e soldados. Enalteciam-se os feitos de conquistadores, reis e desportistas. Homenageavam-se lendas e ícones.

A biografia era como um Goya, um Emmy ou melhor um Óscar de carreira...embora tal escolha fosse por vezes muito discutível é certo.

Dos vilões também reza a História, por isso também estes estavam presentes, fosse como aviso para memória futura ou num sombrio registo autobiográfico.

Hoje em dia qualquer "jogador da bola", Justin Bieber ou Paris Hilton desta vida tem direito a ver a sua história contada antes dos 30.

Mas que raio tem esta gente para dizer? Que úteis ensinamentos? Que iluminada lição de vida para transmitir ou evitar?

A vida de muitos destes pseudo-ícones nem com o aproximar do "seu Inverno" daria material suficiente para escrever um livro ou pelo menos algo digno desse nome.

Estes registos literários estão para a vida como as ejaculações precoces para o sexo. Chegam depressa e deles ninguém guarda memória.

Pior é que a todo este quadro ainda temos que juntar o facto de que muitos dos visados não teriam sequer capacidade para escrever duas frases, quanto mais um livro. Há profissionais pagos que fazem inclusive pretensos registos autobiográficos destas “celebridades”. É o fast food da decadência literária! 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Elevador - A Cápsula Social

 

Os elevadores são laboratórios privilegiados para o estudo do comportamento humano. Estas cápsulas do sobe e desce são palco de uma vasta panóplia de comportamentos e emoções. Um filão que bem explorado seria um verdadeiro festim para antropólogos, sociólogos e psicólogos…O retrato fidedigno do Homem urbano do séc. XXI. Houvera uma câmara de filmar em cada e…Hold on, wait a second...You dirty, dirty minds… Não, não estou a pensar em certos comportamentos mais “acalorados” associados a súbitas e inesperadas paragens do elevador. Claro que lhe reconheço o potencial concretizador de determinadas fantasias…que atire a primeira pedra quem nunca pecou! Mas, e voltando ao tema, não era essa a minha intenção. Estou sobretudo a pensar em situações como as seguintes:

  • A incontrolável vontade de rir que nos parece querer afectar quando estamos no elevador com um estranho;

  • A inesperada meditação contemplativa de algum ponto no tecto ou dos sapatos durante o trajecto;

  • O súbito ataque de tosse;

  • A miúda do decote generoso que não passa despercebida quer a homens ou mulheres;

  • O Sr. ou Sra. Obesa que nos faz instintivamente olhar para a placa com o limite de peso e proceder a um rápido exercício de cálculo enquanto vamos temendo pela vida …”Será que está gaita aguenta?!”;

  • O autêntico desespero e frustração que nos toma quando estamos atrasados para chegar a algum lado e o chato do vizinho mais parece que decidiu fazer mudanças.

Curioso é observar quando o elevador bloqueia a estranha onda de solidariedade que se parecer formar entre aqueles que momentos antes eram perfeitos desconhecidos. Quem não sabe não estará aqui a resposta para a resolução de muitos conflitos e da própria crise económica! Era juntar nestes cubículos durante algumas horas os principais líderes mundiais e sairiam por certo abraçados a cantar “Friends will be Friends…” (pronto, esqueçam a Merkel, quanto a essa não há nada a fazer...).

O elevador tem ainda outras estranhas valências, tais como:
  • A de jukebox (a deprimente musiquinha ambiente);
  • A cabine de sauna (meu deus, o calor!);
  • A câmara de tortura (quando a pessoa que nos precede ou acompanha parece ter abusado ou, ainda pior, ter-se completamente esquecido do desodorizante).

Para finalizar gostava de esclarecer os meus colegas do longínquo 8º ano (já lá vão quase 20…) que cheguei mesmo atrasado à aula de Francês porque fiquei preso no raio do elevador. É que na altura ninguém me levou a sério, nem a própria professora! A injustiça!

E vocês, caros leitores, que histórias passadas no elevador têm para contar? Aceita-se com bolinha vermelha depois das 22!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Futebolês a Património Mundial




Há verdadeiras injustiças no mundo, uma delas é certamente a falta de reconhecimento do futebolês. O futebolês, nobre linguagem desenvolvida pelos locutores e comentadores de futebol na rádio e televisão, devia ser reconhecido como língua (ou pelo menos dialecto) de pleno direito. Já repararam bem na riqueza e diversidade cultural que apresenta. Meus caros, que se eleve o futebolês a Património Cultural da Humanidade.

É verdade que alguns treinadores e jogadores de futebol parecem também conhecer o futebolês mas sejamos claros não é o mesmo exercício, falta-lhes um certo requinte.

Em Portugal temos verdadeiros mestres, porque não dizer poetas desta “nobre arte”. Atentem no manancial de vocábulos e expressões, é algo único. Não se iludam, estamos perante Arte no seu estado mais puro. É a “magia da técnica contra a força da táctica”, são os “passes açucarados”, é a jogada que foi “um poema”, é o golo “de letra” quando não de “antologia”.

Não nos limitemos contudo à arte. O futebolês está impregnado de conotações religiosas: “ A mão de Deus”; “os deuses do futebol”.

O maior expoente do futebolês em Portugal, figura incontornável, é sem dúvida o Grande Mestre Gabriel Alves. O antigo comentador da RTP deu uma nova dimensão ao futebolês. Mais do que um poeta, Gabriel Alves, no seu jeito profundo e enigmático, deveria ser apelidado de “O Filósofo do Futebolês”. Senão vejamos:

“A Selecção não jogou bem, nem mal, antes pelo contrário” (Notável! O “só sei que nada sei” aplicado ao futebol”);

“Fica na retina o cheiro do bom futebol” ou “No estádio ouve-se um silêncio ensurdecedor” (Fantástico como captura a ambiguidade dos sentidos!);

“E aí está uma enorme cavalgada de Thuram…Este homem é um leão!” (Cá está a transfiguração das espécies com toques de mitologia);

“João Pinto vai centrar para o meio da confusão mas não está lá ninguém!” (Uma crítica ao espírito individualista que grassa na nossa sociedade. A “solidão entre muitos”, o paradigma da vida nas grandes cidades. Brilhante!);

“Juskowiak, a vantagem de ter duas pernas” (A constatação do óbvio ganha um novo sentido);

“Reparem como os jogadores do Bayern movimentam-se descrevendo figuras geométricas…O futebol é um arte plástica!” (??!! Gabriel peço desculpa mas agora perdi-me… Importa-se de repetir?)

“O jogador foi atingido por um objecto lançado provavelmente por um telespectador!” (Ui, entrámos à bruta no domínio das Ciências! A existência de dimensões paralelas, o teletransporte de objectos. Prodigioso!)


É impossível não nos sentirmos emocionados com este brilhantismo!

Termino com um apelo. É tempo de passarmos das palavras aos actos. Compilem-se dossiers, organizem-se petições, recolham-se assinaturas… Juntos faremos do futebolês Património Mundial!