quinta-feira, 20 de junho de 2013

Sexo Vira Casamento ou DesInformação?




Casais que façam sexo pré-matrimonial passam a ser casados” titula o Jornal I na sua edição Online. Num misto de curiosidade e espanto (se é que ainda é possível nos dias que correm) abri o link da notícia para ver com mais atenção.


Um casal indiano maior de idade que tenha relações sexuais passa a ser casado, segundo a nova lei aprovada esta semana pelo tribunal da Índia


“Se algum casal decide consumar os seus desejos sexuais, então esse acto torna-se um compromisso total com a aceitação de todas as consequências que daí possam advir, excepto em certas circunstâncias especiais", acrescenta a lei, apesar de não detalhar as excepções, revela o "New York Times".


A nova legislação afirma ainda que as crenças religiosas, que normalmente marcam as cerimónias de casamento tradicionais, “são apenas formalidades”, e portanto “não são necessárias para consolidar o casamento”.


A população indiana não está satisfeita com a novidade e as redes sociais têm sido invadidas com vários tipos de críticas, exigindo que a lei seja anulada”.


Ora bem, perante tanta ignorância e impreparação do jornalista do I, tenho alguma dificuldade em saber por onde pegar neste idiótico artigo/tradução que publicaram.


Desde logo, ainda que não conheça o sistema político indiano a fundo, posso asseverar que o poder legislativo não é uma prerrogativa dos tribunais judiciais, não lhes compete criar leis mas sim velar pela aplicação das mesmas ao caso em concreto, a menos que se encontrem feridas de qualquer ilegalidade ou inscontitucionalidade. Quanto muito caberá ao juíz pronunciar-se no silêncio da Lei ou aclarar o seu sentido em caso de interpretação dúbia. 


A separação de poderes é (ainda) um dos princípios fundamentais de um Estado de Direito ou aparente, ainda que de forma cada vez mais pervertida. 


O “jornalista” traduziu certamente as palavras rule/ruling como lei / aprovação de lei quando o que está aqui em causa são decisões judiciais tomadas por um Tribunal Superior da região de Madras…



Gosto igualmente da “lei aprovada por esta semana pelo Tribunal a Índia”. Não sei se o “I” considera que num país com mais de um bilião de pessoas só haverá um tribunal? Porventura o Taj Mahal fará na opinião do “jornalista” esse papel entre as visitas dos turistas, quem sabe…


Posto isto, e tratando-se de um tribunal superior, poderá funcionar aqui o chamado “precedente”, isto é, poderá influir em decisões judiciais posteriores, sendo a interpretação a prevalecer em casos semelhantes.


É lamentável depararmo-nos com esta progressiva falta de preparação, porque não ignorância, dos profissionais de comunicação. As gaffes, erros sucedem-se a uma velocidade vertiginosa, tamanha é a idiotice. 


É preocupante o estado a que o jornalismo chegou, fruto sem dúvida do desinvestimento feito ao longo dos últimos anos. Desde logo leva a que deixe de haver jornalistas especialistas, passando a serem quase uns “clínicos gerais” com as inevitáveis consequências, sobretudo em domínios como a Política, a Economia e a Justiça. Por outro, leva a que potenciais bons jornalistas optem por abandonar a carreira, ficando a profissão à mercê de ignorantes, compadrios e alguns resistentes da “velha guarda” ou um ou outro romântico incurável que  perante a falta de condições agarra-se de forma estoica ao amor pela profissão. 


Tenho muita pena que de dia para dia jornais de referência se apresentem cada vez mais, pelo menos em parte, como autênticos folhetins humorísticos.

Para quem quiser ler a verdadeira história com maior rigor deixo-vos o seguinte link.

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