quarta-feira, 10 de abril de 2013

“Eu Não Falo de Arbitragens mas…”



Futebol sem polémicas não é futebol ou pelo menos assim pensarão muitos. 


Há uma crescente moda entre os treinadores de futebol que se anuncia com um “Eu não falo de arbitragens mas…”


É vê-los nas “pré” e “pós” conferências de imprensa a entoarem as suas ladainhas quando não conseguem encontrar melhor desculpa para a falta de resultados.


Com medo de eventuais sanções ou simplesmente porque não fica bem estar constantemente a bater no homem do apito, os “treinadores da bola” arranjaram este expediente, este “diz que (não) disse” para lançarem todos os impropérios e acusações sobre o “Sistema”, os árbitros e, variadas vezes, sobre os entes queridos dos mesmos.



Vou concretizar com algumas frases-chave bastantes utilizadas:


“Eu já disse (e repito) que não falo de arbitragens mas…há factores externos que condicionaram a nossa equipa”.


Então se não estamos a a falar de arbitragem, estamos a falar de quê? Que misteriosos factores externos serão estes?


Serão factores meteorológicos que afectam os jogadores? A conjuntura macroeconómica? O cardápio antes do jogo? Alguma perversa conspiração intergaláctica?


Outro exemplo:


“Eu não falo de arbitragens mas toda a gente viu que fomos claramente prejudicados…Faltas por marcar, foras-de-jogo mal assinalados, dualidade de critérios…Uma vergonha!”


Ora bem, alguém me elucide então...Que deverá ser entendido então como falar sobre a arbitragem?
 

Será comentar o uniforme do juiz da partida? “ O árbitro vestiu-se de fúchsia o que atrapalhou a dinâmica da equipa” ou “o amarelo fluorescente condicionou a visibilidade dos meus jogadores”.


Em alternativa, uma dissertação sociológica sobre a arbitragem como factor de crispação entre grupos antagónicos?


No início deste ano, por ocasião do Benfica-Porto, Vítor Pereira, treinador dos dragões, desatou num verdadeiro arraial de pancada verbal sobre tudo e todos. Curioso é que, ainda umas semanas antes, Pinto da Costa havia afirmado (em resposta a um dirigente benfiquista) “ Estar sempre a falar de árbitros é ridículo e estúpido. E como há muito estúpidos vai-se continuar a falar.”


Como diria Scolari…”E o burro sou eu!”

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