terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A Cultura do Descartável



Antigamente as coisas eram feitas para durar, hoje para facturar.

A falta de qualidade é transversal e por demais evidente, seja nos automóveis, na roupa, nos eletrodomésticos, nos móveis ou na própria construção da casa.

Vivemos a era do plástico, do contraplacado, do descartável. São os tempos do "paga, usa e deita fora!" É a sociedade do consumo na sua plenitude. Irónico quando o momento é de poupar, de preservar.

Os fabricantes, movidos pela mais pura ganância, não olham a meios para atingir o lucro. O que é preciso é vender.

Transferem-se as fábricas para onde se pague menos, reduz-se a qualidade dos materiais, dá-se-lhes uma embalagem bonita. Embalagem essa que esconde no seu âmago um relógio de validade em acelerada contagem decrescente.

Os automóveis duravam uma vida. Passavam de pais para filhos, neles tínhamos as primeiras lições de condução. Hoje ao fim de quatro, cinco anos são uma fonte de problemas…quando não menos.

As casas eram sólidas, resistentes. Agora, ao fim do primeiro ano, mostram as primeiras rachas, as marcas de humidade, isto já para não falar da má insonorização e deficiente isolamento térmico.

Quanto à roupa, direi que por vezes mais se assemelha a um trapo velho depois da primeira utilização. E enganem-se aqueles que pensam que me refiro, em particular, às marcas no segmento de uma Zara ou de uma Pull & Bear. É por vezes nas marcas ditas “premium” que acabamos por encontrar os produtos de menor qualidade.

Os móveis façam-nos de esferovite, pelo menos entenderíamos a sua rápida degradação.

Não me posso esquecer da genial justificação de um técnico do IKEA que questionado sobre o lastimável estado de umas cómodas ao fim de poucos dias respondeu “Sabe, estes móveis têm dado problemas…é da humidade. Já montei uns na Quinta da Marinha e ficaram na perfeição!”…Palavras para quê?

Para além do tom jocoso da minha resposta “pois, imagino que vá lá muitas vezes…”, o resultado saldou-se na substituição, por mais de uma vez, das cómodas ou parte destas, sendo que ao fim de pouco mais de dois anos já têm um destino traçado…o LIXO!

A marca entrou na minha lista negra mas atenção…Nem sempre o caro é sinónimo de bom!

Em jeito de conclusão, a recomendação que vos faço é que se tiverem “antigo” estimem, reciclem, restaurem. Se, pelo contrário, optarem pelo “novo”…muito cuidado…pois arriscam-se a comprar gato por lebre.

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