quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Gloriosa História de um Povo Esquecido




(Foto: Autor desconhecido)

Ao ler “A Voz dos Deuses” de João Aguiar, um livro que narra de forma despretensiosa e romanceada a vida adulta de Viriato (brilhante guerreiro e estratega militar que ousou enfrentar as poderosas legiões do Império Romano; aquele a quem poderíamos apelidar de líder máximo dos Lusitanos) constato mais uma vez o manancial de grandes épicos e narrativas que a História de um País (ou a sua “pré”-História, como é o caso) com quase nove séculos de existência proporcionaria e que lamentavelmente a indústria do cinema (e diga-se da televisão) não está a aproveitar.



Sobre os EUA, a ainda primeira potência mundial, um país que podemos apelidar de “jovem”, nos seus pouco mais que dois séculos de existência, multiplicam-se de forma desmesurada os filmes sobre a sua edificação. Só sobre a Guerra da Secessão, entre filmes e séries, as opções parecem infindáveis.



Ávido curioso pela Historia (algo que me foi incutido pelo meu pai e pelo meu avô) e grande fã de filmes ao estilo de “BraveHeart”, “O Gladiador” ou mesmo “1492 – A Conquista do Paraíso”, não posso deixar de me lamentar e de certa forma revoltar com a falta de atenção a que tão rica História de um País é vetada.



Imaginem que glorioso épico daria a vida de D. Afonso Henriques, o pai da Nação. Um jovem nobre que ainda cedo se viu privado do pai, D. Henrique de Borgonha, tendo sido tomado debaixo da asa protectora do seu tutor Egas Moniz. Alguém que fez frente à própria mãe que apoiava Castela e que contra tudo e contra todos, na força e na adversidade, erigiu uma Nação. A este feito nem faltaria o notável facto para a época de tão valente guerreiro apenas ter conhecido o seu “descanso final” com a longa idade de 76 anos.



Que emocionante produção seria feita sobre a Batalha de Aljubarrota. Os ingredientes que contagiam o público estão lá todos. A coragem, a ousadia de um exercício de poucos que contra todas as possibilidades derrotou de forma estrondosa as tropas inimigas (o conceito de “underdogs” tão acarinhado pelos fãs).



Incontáveis os filmes que se poderiam fazer sobre os “Descobrimentos”. Desde o dobrar do Cabo das Tormentas por Bartolomeu Dias, à descoberta do Brasil por Pedro Alvares Cabral e do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama. Imagino o sorriso orgulhoso e forças retemperadas com que sairíamos das salas de cinema.



Os próprios “Lusíadas” retratados em filme ou numa mini-série…Que potencial desperdiçado da intemporal obra de Luís Vaz de Camões.



Poderia prosseguir nesta lista, por dias e dias. O mais difícil é por certo a escolha…Será que ninguém é capaz de meter uma cunha aos grandes estúdios de Hollywood ou principais produtoras europeias a ver se pegam nalgum projecto? Se me arranjarem um número de telefone eu próprio ligo!



Entristece-me também o facto de a própria indústria cinematográfica portuguesa apostar tão pouco em filmes sobre a nossa História. São raros os registos, muitos de qualidade duvidosa. Por falar nisso, estou em falta com o filme “As Linhas de Wellington” sobre as Invasões francesas. Ouvi dizer que vale a pena…



A falta de recursos é uma incontornável realidade com que os realizadores nacionais se debatem mas isso por si só não justifica tudo. Porque não deixar de vez o preconceito, o lugar-comum de que os filmes portugueses só abordam o drama familiar ou social, numa espécie de fatalidade, de triste fado que nos acorrenta e que nos limita.



Não estará aqui a exaltação patriótica que tanta falta nos faz em momentos tão conturbados como o que vivemos?

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