domingo, 6 de janeiro de 2013

Arrábida - Da Serra ao Mar



"Entre a planície e o mar imenso há uma serra coberta de florestas primitivas e mato denso que acolhe e dá refúgio a centenas de espécies", assim começa a narração do filme "Arrábida da Serra ao Mar", de Luís Quinta e Ricardo Guerreiro, que estreou hoje na SIC. Para quem não teve oportunidade de o ver, sugiro que o façam logo que possam.



O filmo-documentário retrata-nos a importância e belezas ímpares de um património que é nosso mas que por muitas vezes é esquecido. Na Serra da Arrábida há uma profusão apaixonante de vida e cores, sendo que nela habitam algumas espécies animais e vegetais únicas no mundo.



A reserva do Parque Natural da Arrábida, criada em 1976, estende-se por uma área aproximada de 10.800 hectares. Tal como a flora, repleta de plantas únicas e árvores centenárias, a fauna é bastante diversificada, sendo que nela vivem desde majestosas aves de rapina a elegantes raposas e pequenos mamíferos, desde peculiares insectos a esguios repteis.



Luís Quintas na realização e Ricardo Guerreiro na fotografia fazem-nos chegar este apaixonante trabalho que tomou anos mas que tem o notável efeito de nos manter deslumbrados e porque não dizer orgulhosos nos 50 minutos em que dura a película 


No documentário é também abordada a riqueza do estuário do Sado e das cristalinas águas repletas de vida marinha que banham a Arrábida, bem como a própria riqueza do seu património geológico, fruto de milhares de anos de evolução.



Quero dar os meus sinceros e merecidos parabéns aos criadores deste arrebatador documentário que me fez descobrir segredos que desconhecia de uma região que me viu crescer desde a mais tenra idade. É impressionante o quanto há por explorar na majestosa serra que se ergue em toda a sua complexidade e biodiversidade. 



Eu diria que esta película é acima de tudo um filme sobre a própria vida. Quanto poderíamos nós aprender do magnífico mas frágil ecossistema e da complexidade de relações que nele se estabelecem. O ciclo da vida, nas suas mais diversas etapas, a resistência perante a adversidade, a ambiguidade com que um ser vivo passa de um momento para o outro de predador a presa…Notável!



Triste e criminoso é que um terrível flagelo chamado "Secil" continua a destruir, com o patrocínio do Estado, tão valioso património, apesar do  pretenso "trabalho de reflorestação que tem vindo a ser feito". É visível é certo mas usando uma analogia diria que não mais é do que  pôr um penso rápido num membro amputado.



A serra da Arrábida é um lugar belo que encerra um património natural único, pelo que nunca será demais salientar a importância da sua conservação e garantir às gerações futuras este legado tão valioso". 
 
Esta é um das últimas frases do filme que  para além de apelar para a conservação deste verdadeiro "tesouro vivo", pretende também reforçar a candidatura deste magnífico ecossistema a Património Mundial da Unesco.

2 comentários:

  1. Brilhante documentário que nos mostra de forma impar a beleza da reserva do Parque Natural da Arrábida.

    Concordo em pleno com o teu comentário em relação à Secil: "Triste e criminoso é que um terrível flagelo chamado "Secil" continua a destruir, com o patrocínio do Estado, tão valioso património, apesar do pretenso "trabalho de reflorestação que tem vindo a ser feito". É visível é certo mas usando uma analogia diria que não mais é do que pôr um penso rápido num membro amputado."

    É mais uma daquelas situações infelizes com que o nosso Estado compactua e que nunca terá uma solução. Esperemos que não seja um factor de exclusão para que está magnífica reserva venha a tornar-se em Património Mundial da Unesco!


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  2. Esperemos que ñ e que possa estar aí a "desculpa" para retirar-se aquela aberração de vez

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